Essa semana
estréia nos
cinemas de todo Brasil, O Bem Amado, baseado na obra homônima de Dias Gomes. Por
isso nada melhor que um post sobre essa obra que marcou a história de muitos
brasileiros.
O personagem central do livro é Odorico Paraguaçu, prefeito da cidade de Sucupira, retrata o político corrupto, cheio de artimanhas que ao administrar uma cidade típica do interior da Bahia, tem como meta a inauguração do cemitério local. Bajulado pelo secretário Dirceu Borboleta, conta também com o apoio incondicional das irmãs Cajazeiras, suas correligionárias e defensoras fervorosas: Dorotéia, Dulcinéia e Judicéia.
A oposição
está representada pela delegada de polícia Donana Medrado, pelo dentista Lulu
Gouvêia, líder da oposição na Câmara e pelo jornalista Neco Pedreira, dono do
jornal local, A Trombeta. O prefeito arma tramas maquiavélicas para que morra
alguém, para que o cemitério seja enfim inaugurado.
A sátira bem
construída aos políticos corruptos, ao comportamento da sociedade faz da obra
de Dias Gomes um retrato atemporal do Brasil e do qual diz que “a sociedade heterogênea
na qual vivemos, contraditória, louca, que constrói e destrói, onde o ter é
muito mais importante que o ser, onde Deus e o Diabo dão as mãos e dançam
juntos”.
A extensa obra deste dramaturgo nascido em
Salvador (BA) alcança sua consagração com O Pagador de Promessas (1959) que, ao
ser adaptada para o cinema, recebeu a Palma de Ouro do Festival Internacional
de Cannes em 1962, passando a ser considerado um clássico da moderna
dramaturgia brasileira.
Odorico, o Bem amado foi escrito em 1962 e
publicado pela primeira vez em 1963, num especial da revista Claudia sob o
título de Odorico, o Bem Amado e os Mistérios do Amor e da Morte.
Escreveu para a televisão obras de grande sucesso como Roque Santeiro, O Espigão, Saramandaia, entre outras. Toda sua obra espelha seu grande talento em retratar a sociedade brasileira sob a forma de uma crítica social franca, lúcida, mas repleta de humor.
